sábado, 8 de agosto de 2009

Agosto de 2009 - João Guimarães Rosa

PRIMEIRAS ESTÓRIAS

de João Guimarães Rosa




Encontro realizado em 1º de setembro de 2009
(Na foto faltou o Sérgio, que saiu mais cedo)


Do livro lido em agosto, alguns contos foram os preferidos, como As margens da alegria, A terceira margem do rio, Nada e a nossa condição. O Espelho chamou a atenção pela estranheza do assunto, Pirlimpsiquice pela difícil pronúncia do título. Fizemos a leitura em voz alta do conto Nenhum, nenhuma.

No meio de muitas discussões sobre a compreensão dos contos e as sensações por eles causadas em cada um de nós, algumas frases foram lidas pelos participantes, e marcaram o encontro.



"Não gosto de falar em infância. É um tempo de coisas boas, mas sempre com pessoas grandes incomodando a gente, intervindo, estragando os prazeres. Recordando o tempo de criança, vejo por lá um excesso de adultos, todos eles, mesmo os mais queridos ao modo de soldados e policiais do invasor, em pátria ocupada. Fui rancoroso e revolucionário permanente então. Já era míope, e nem mesmo eu, ninguém sabia disso. Gostava de estudar sozinho e de brincar de Geografia. Mas, tempo bom de verdade, só começou com a conquista de algum isolamento, com a segurança de poder fechar-me num quarto e trancar a porta. Deitar no chão e imaginar estórias, poemas, romances, botando todo mundo conhecido como personagem, misturando as melhores coisas vistas e ouvidas."
João Guimarães Rosa


"Ele foi, acima de tudo, um exímio contador de histórias, na voz do homem do sertão. Por meio da ficção, foi capaz de mostrar que o raciocínio refinado do homem culto e o pensamento do homem de poucas letras, no fundo, representam a mesma coisa, já que os valores humanos são universais."
Professora Aira Suzana Martins,
Gazeta do Povo, 09/08/2009


"As estórias de Rosa nos remetem a estórias que estão no inconsciente coletivo dos leitores brasileiros e de outras bandas do mundo. São estórias de onde brotam vozes que mesclam lendas, mitos regionais, nacionais e internacionais, intertextos que conferem um teor de universalidade ao cenário do sertão de Minas Gerais, Bahia e Goiás, onde se enredam e desenredam suas fábulas. Suas estórias, como costumava nomeá-las, pelo fato de serem relatos de acontecimentos fictícios e não registros de fatos reais da história, são muitas. Há quem as considere difíceis de serem lidas, mas, na verdade, elas são lúdicas e, como todos os jogos e brincadeiras, só têm graça se oferecerem desafios permanentes, por isso valem a pena. Ele foi um refinadíssimo degustador de palavras."
Luiz Roberto Cairo,
in Guia de leitura: 100 autores que você precisa ler;
organização e edição de Léa Sílvia dos Santos Masina. P&PM, 2008




Nos dias 25 e 26 de agosto, houve um encontro com Milton Hatoum, na Casa do Saber.
Gaby foi lá conferir e nos trouxe algumas frases interessantes ditas pelo escritor.


A literatura é uma forma de ver e de conhecer o mundo.
O ato de ler é mais civilizado que o ato de escrever.
Hatoum prefere escrever romances com algum traço autobiográfico.
Ele escreve sobre o Amazonas porque quer mostrar aos brasileiros e ao mundo sua terra.
O escritor tem que ser um bom leitor.
Há mil maneiras de ler um livro.
Há muitos níveis de intensidade de leitura.
A leitura e a experiência de vida são essenciais para ser escritor.
É melhor escrever o impossível crível que o possível incrível.
O passado recente não é o melhor para o romance, é preciso viver e entender o vivido para poder escrevê-lo num romance.
Para ele, Guimarães Rosa é genial porque pegou a fala do caipira e a reconstruiu.
Porém, nada se aproxima a Machado de Assis, no século XIX, como contista.
Para Hatoum, ele foi o melhor de todos!


Além disso, Gaby descobriu que o final de "Órfãos do Eldorado" - o livro de Abril de 2009 do Nosso Clube de Leitura - era fechado. Foi o editor quem tirou a última página da novela, deixando-a com um final aberto... e que instigou grandes discussões durante o encontro de Abril...




Abraços a todos,
até o próximo encontro!

Andréa e Gabriela


O autor cria palavras o tempo todo e escreve prosa como quem escreve poesia.

Conforme as palavras da estudiosa Walnice Nogueira Galvão, Guimarães Rosa "dignifica o sertanejo pobre, mostrando como o mais papudo dos catrumanos dos cafundós pode aspirar à transcendência e se entregar a especulações metafísicas, sem precisar sequer saber ler" Citação: Galvão, Walnice Nogueira. Guimarães Rosa. São Paulo, Publifolha, 2000

Para ajudar a compreensão dos contos, tente ler em voz alta, lentamente, palavra por palavra!

Inspire-se com a música de Caetano Veloso: http://www.youtube.com/watch?v=OV_fZiTCpb8
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O escritor brasileiro João Guimarães Rosa nasceu em Minas Gerais, no ano de 1908.

Suas obras mais conhecidas são Sagarana e Grande Sertão: Veredas.

O livro de contos Primeiras estórias foi publicado em 1962.

Uma análise da obra que leremos, incluindo resumos dos contos,
pode ser encontrada no link: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/p/primeiras_estorias


ENCONTRO DIA 1º DE SETEMBRO

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O livro para setembro foi escolhido:

O Tigre Branco,
do indiano Aravind Adiga.
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Um comentário:

  1. Olá, parceiras e parceiros de leitura, uma dica para facilitar o entendimento dos contos do livro "Primeiras estórias" é a leitura em voz alta. A escrita de Guimarães Rosa tem a oralidade do povo do sertão.

    Não se preocupem tanto com as palavras difíceis, muitas não serão encontradas no dicionário, pois são pura invenção do autor.

    O encontro será muito importante para que possamos pensar juntos sobre o significado dos contos, e sobre os motivos que o levaram a ser clamado como um dos melhores autores brasileiros.

    Abraços,
    Andréa

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