quarta-feira, 30 de junho de 2010

Julho de 2010 - PAULINA CHIZIANE


PAULINA CHIZIANE:

a primeira moçambicana a publicar um romance. La primer mujer mozambiqueña en publicar una novela.



Niketche - uma história de poligamia

"Niketche vem do nome de uma dança de iniciação sexual feminina
 da Zambézia e de Nampula, no Norte do país,
região predominantemente macua,
onde está a Ilha de Moçambique.
"Niketche viene del nombre de una danza de iniciación sexual femenina de Zambézia y de Nampula, al norte del país, región predominantemente macua, donde está la isla de Mozambique.
Em país de poucos homens – milhares morreram na guerra,
muitos ficaram mutilados, outros tantos emigraram –,
as mulheres parece que aceitam dividir seus maridos umas com as outras, embora a poligamia venha de tempos já perdidos,
 quando os cultores do Islã desceram a África
e disseminaram suas crenças e costumes.
En país de pocos hombres -millares murieron en la guerra,
muchos quedaron mutilados,otros emigraron-,
las mujeres parece que aceptan dividir sus maridos
 unas con las otras,
aunque la poligamia venga de tiempos perdidos,
cuando los cultores del Islam bajaron a África y
diseminaron sus creencias y costumbres.
Em alguns lugares de Moçambique, como na província sulista de Gaza, é comum que a mulher atenda ao chamado do marido de imediato, largando tudo o que está fazendo. Mais: quando o marido chama, ela não pode responder de pé. Também é difícil entender esta conversa sobre violência na família: “A minha mãe sempre foi espancada pelo meu pai, mas nunca abandonou o lar. As mulheres antigas são melhores que as de hoje, que se espantam com um simples açoite”.
En algunos lugares de Mozambique, como en la provincia zulú de Gaza, es común que la mujer atienda al llamado del marido de inmediato, largando todo lo que está haciendo. Pero: cuando el marido llama, ella no puede responder de pie.
También es difícil entender esta conversación de violencia en la familia: Mi mamá siempre fue golpeada por mi padre, pero nunca abandonó el hogar. Las mujeres antiguas son mejores que las de hoy, que se espantan con un simple azote".
O trágico é que o grito de Paulina, dificilmente, será ouvido ou compartilhado pelas mulheres de Moçambique, pois os escritores africanos escrevem para o leitor branco de fora de seus países que pode comprar seus livros, já que, em razão dos altos índices de analfabetismo e dos baixos níveis sócio-econômicos, as tiragens nos países africanos de língua portuguesa são ínfimas, o que não significa que em Portugal e no Brasil sejam muito superiores.
Lo trágico es que el grito de Paulina, dificilmente, será oído o compartido por las mujeres de Mozambique, pues los escritores africanos escriben para el lector blanco de afuera de sus países que pueden comprar sus libros, ya que, por los altos índices de analfabetismo y de los bajos niveles socio-económicos, las tiradas en los paises africanos de lengua portuguesa son ínfimas, lo que no significa que en Portugal y en Brasil sean muy superiores.
Este é um livro feminista, mas feminista à maneira africana: não é uma obra que desafie o estatuto da mulher africana ou moçambicana. Aliás, usar termos como africana e moçambicana é correr o risco das generalizações. No próprio Moçambique, há flagrantes diferenças: o norte é uma região matriarcal, onde as mulheres têm mais liberdade, enquanto o sul e o centro são regiões patriarcais, extremamente machistas. E a narrativa de Balada de amor ao vento ocorre em Gaza, a mais machista de Moçambique, onde a mulher, além de cozinhar e lavar, para servir uma refeição ao marido tem de fazê-lo de joelhos.
Este es un libro feminista, pero feminista a la manera africana: no es una obra que desafíe el estatuto de la mujer africana o mozambiqueña. Es más, usar términos como africana o mozambiqueña es correr el riesgo de las generalizaciones. En la propia Mozambique, hay grandes diferencias: el norte es una región matriarcal, donde las mujeres tienen más libertad, en cuanto el sur y el centro son regiones patriarcales, extremadamente machistas. Y la narrativa de la Balada de amor al viento ocurre en Gaza, la más machista de Mozambique, donde la mujer, además de cocinar y lavar para servirle una comida al marido tiene que hacerlo de rodillas.
Portanto, este livro traz o olhar do feminismo negro, que é diferente do feminismo branco, porque muito mais trágico. Ou alguém duvida que a mulher negra sempre foi muito mais oprimida e massacrada que a branca, que vive do suor de seu próprio rosto há muito mais tempo, que responde por sua própria família desde épocas imemoriais, embora fuja à luz da razão discutir gradações de violência?"
Por lo tanto este libro trae la mirada del feminismo negro, que es diferente del feminismo blanco, porque es mucho más trágico. O alguien duda que la mujer negra siempre fue mucho más oprimida y masacrada que la blanca, que vive del sudor de su propio rostro hace mucho más tiempo, que responde por su propia familia desde épocas inmemoriales, aunque escape a la luz de la razón discutir grados de violencia?"
Texto do escritor brasileiro Adelto Gonçalves, disponível em: 
30.junho.2010
Traducción libre del texto del escritor brasilero Adelto Gonçalves, disponible en
http://macua.blogs.com/moambique_para_todos/2004/06/o_feminismo_neg.html


Foto "fantasmágorica" do encontro, por termos esquecido as câmeras!!

   O encontro sobre o livro de Paulina Chiziane foi muito divertido pelos debates que surgiram sobre as mulheres, as relações matrimoniais e a poligamia.
   Foi bom conhecer um pouco sobre a cultura e a história de Moçambique, país que terminou 15 anos de uma sangrenta guerra civil em 1992, e que ainda tem mais de 2.000.000 de minas terrestres, que ficaram como uma herança do conflito.
   Moçambique tem quase 22.000.000 de habitantes, com uma idade média de 17 anos. A expectativa de vida é de 40 anos e estima-se que 12% da população esteja infectada com o vírus da AIDS.
   El encuentro de Paulina Chiziane fue muy divertido por los debates que surgieron sobre las mujeres, las relaciones matimoniales y la poligamia.
   Nos informamos sobre la cultura y la historia de Mozambique, país que terminó 15 años de una sangrienta guerra civil en 1992 y que tiene, en la actualidad 2 millones de minas terrestres como consecuencia de este conflicto.
   En Mozambique viven casi 22 millones de habitantes, con una edad promedio de 17 años.La esperanza de vida es de 40 años y se estima que un 12% de la población está infectada con el virus del SIDA.

   Adoramos a visão de Paulina sobre as mulheres e os questionamentos que faz sobre o mundo e as tradições de seu país. Sua narrativa é poética e musical. Gostamos dos diálogos de Rami com o espelho - ela perde sua identidade e volta a encontrá-la no próprio reflexo.
   Achamos divertido o “Pai nosso feminino” do Capítulo 8!
   Chiziane conta uma história triste e cruel. Ao mesmo tempo consegue divertir e roubar sorrisos do leitor.
   Adoramos la visión de Paulina sobre las mujeres y los cuestionamientos que hace sobre el mundo y las tradiciones de su país. Su narrativa es poética y musical. Nos gustaron los diálogos de Rami con el espejo. Ella pierde su identidad y la reencuentra en su reflejo.
   Nos llamó la atención el “Padre Nuestro femenino” del capítulo 8.
   Chiziane cuenta una historia triste y cruel y, al mismo tiempo, consigue que el lector se divierta y sonría en varias partes del libro.

Faltaram os homens do Clube de Leitura no encontro de Niketche!
¡Hicieron falta hombres en el debate de Niketche!

Lemos muitas frases que gostamos.

"Ter é uma das muitas ilusões da existência, porque o ser humano nasce e morre de mãos vazias."
"Tener es una de las muchas ilusiones de la exitencia, porque el ser humano nace y muere con las manos vacías." (Cap. 2)

"As culturas são fronteiras invisiveis que levantam as muralhas deste mundo."
"Las culturas son fronteras invisibles que levantan las murallas de este mundo."

"Mulher é linha curva. Curvos são os movimentos do sol e da lua. […] Homem e mulher se unem numa só curva no serpentear dos caminhos. Curvos são os lábios e os beijos. Curvo é o útero. Ovo. Abóbada celeste. As curvas encerram todos os segredos do mundo. […] Corpo de mulher é magia. Força. Fraqueza. Salvaçao. Perdição. O universo inteiro cabe nas curvas de uma mulher. "
"Mujer es línea curva. Curvos son los movimientos del sol y de la luna. […] Curvo es el útero. Huevo. La bóveda celeste. Las curvas encierran todos los secretos del mundo. […] Cuerpo de mujer es magia. Fuerza. Debilidad. Salvación. Perdición. El universo entero cabe em las curvas de uma mujer. " (Cap. 4)


"A moral é uma moeda. De um lado o pecado, de outro lado a virtude. Silêncio e segredo unidos, no equilíbrio do mundo." 
"La moral es una moneda. De um lado el pecado, del otro la virtud. Silencio y secreto unidos, en el equilibrio del mundo." (Cap. 10)


"Buscamos o tesouro em minas já exploradas, esgotadas, e acabamos por ser fantasmas nas ruínas dos nossos sonhos ".
"Buscamos el tesoro en minas ya exploradas, agotadas, y acabamos por ser fantasmas en las ruinas de nuestros sueños".

Uma vez eu tive uma ilusão e não soube o que fazer com ela...
Estiveram conosco no encontro: Marisa Monte e Julieta Venegas - ILUSIÓN



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NOTÍCIAS DO MÊS

Exposição: CENÁRIO URBANO E OUTRAS EXPERIÊNCIAS ESPACIAIS.
Convidamos a todos os leitores do Nosso Clube de Leitura a participar da abertura desta linda exposição de arte que as amigas Jorgelina e Marcela apresentarão na próxima terça-feira, 17 de agosto, das 19h30 às 22h, no Alphaville Tênis Clube.


Invitamos a todos los lectores de Nuestro Club de Lectura
 a participar de la apertura de esta linda exposición de arte
 que las amigas Jorgelina y Marcela presentarán
el próximo martes 17 de agosto
desde las 19:30ha a 22:00hs en el Alphaville Tenis Club.



LIVRO DE CONTOS: DESDE OTRO LUGAR



Em 16 de julho Gaby apresentou seu 
livro, DESDE OTRO LUGAR, em Buenos Aires.
O livro, escrito em espanhol, reúne seus primeiros 11 contos, histórias que falam das relações humanas, da beleza, da incompreensão e da loucura.
A publicação é parte do prêmio literário que ganhou em 2009.
Estará disponível na Livraria Cultura de São Paulo.
PARABÉNS, GABY! QUE ORGULHO!!

www.gabrielacolombo.com

El 16 de julio pasado, Gaby presentó,
en Buenos Aires, su libro,
DESDE OTRO LUGAR.
El libro, escrito en español, reúne sus primeros 11 cuentos, historias que hablan de las relaciones
humanas, de la belleza, de la incomprensión
y la locura.
La publicación es parte del premio literario que ganó en el 2009.
Estará disponible en la Librería Cultura
de San Pablo y en las principales librerías
 de Buenos Aires.
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Autor para Agosto: Alan Pauls
escolha um dos títulos:
(ou leia os 2 - são bem curtinhos)
(elija uno de los libros o lea los dos, que son bien cortos)
- Wasabi

- História do Pranto
Historia del llanto.

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7 comentários:

  1. Elisabeth Scotton20 de julho de 2010 05:51

    Com Niketche, vi que nao sabia nada sobre as mulheres africanas! Mulheres guerreiras, mas ao mesmo tempo atadas às supertiçoes e costumes de uma tradiçao machista e cruel.
    Paulina Chiziane tem frases lindas e profundas. Dá vontade de recomeçar a ler logo após haver terminado a leitura. Veja que bonito:"Las culturas son fronteras invisibles que levantan las murallas de este mundo." Ou no capítulo 4 quando ela diz que o homem é uma linha reta e a mulher uma curva."Curvos son los movimientos del sol y de la luna.(...)Curvo es el útero. La bóveda celeste. Las curvas encierran todos los secretos del mundo." Que bonita mensagem à mulher.
    Mas apesar de tanta profundidade, ela consegue ter uma veia cômica interessante, principalmente quando se refere a Deus, seu Pai Nosso feminino é ótimo!
    E voces, meninas, que parte do frango dao aos maridos? Lembrem-se de ajoelhar ao servi-lo!

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  2. Olá Beth: Andréa e eu estavamos de ferias! Eu acabo de começar a leitura do livro e estou gostando muito do estilo da Paulina:
    “Amor. Tão pequena, esta palabra. Palabra bela, preciosa. Sentimento forte e inacessível. Quatro letras apenas, gerando todos os sentimentos do mundo. As mulheres falam de amor. Os homens falam de amor. Amor que vai, amor que vem, que foge, que se esconde, que se procura, que se escontra, que se despreza, que causa ódios e acende guerras sem fim.”
    Obrigada por seu comentário!!!
    Um abraço!
    Gaby

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  3. Já acabei o livro e gostei muito. Me surpreendeu uma forma de escrever diferente, quase musical, ela vai e volta, repete como se fosse um refrão a condição da mulher africana. Ao mesmo tempo o livro vai se revelando, como a vida, cheia de surpresas.

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  4. Myriam Rodríguez4 de agosto de 2010 16:18

    Gostei muito do livro,uma mulher com muita sensibilidade.
    Uma das frases mas tristes :
    " Buscamos o tesouro em minas já exploradas, esgotadas,e acabamos por ser fantasmas nas ruinas dos nossos sonhos ".

    " Encosto a cabeca no travesseiro e conto o número de vezes que morri".
    Myriam R

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  5. Li os comentarios e fique con vontade de ler a Niketche e con certeza vou fazerlo !!! Boa sorte hoje !!!!!
    Cintia

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  6. Paulina Chiziane escreve de um modo poético e, ao mesmo tempo, é de uma simplicidade incrível. Sua sensibilidade é aguçada. A história que conta em Niketche causa estranhamento, mas é fluida como se estivéssemos lá, em Moçambique, sentindo as dores de Rami. A maior lição que tiro da leitura feita é de que romper com tradições e costumes pode ser uma tarefa muito difícil e dolorosa... por gerações a perder de vista. Afinal, será que a modernidade é realmente possível?

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  7. El encuentro de Paulina Chiziane fue muy bueno.
    Escrito con humor e ironía, este libro nos muestra la cultura y la pobreza de Mozambique (un país que en 1992 terminó 15 años de una sangrienta guerra civil). También da a conocer la condición de vida de sus mujeres.
    Es una novela fresca y ágil. El lector se solidariza con la historia, se espanta y se divierte al mismo tiempo. Su narrativa es poética, simple y musical.
    Paulina a través de su obra nos muestra su visión sobre la vida y el mundo. Me dejó pensando en la falta de información que tenemos sobre lo que sucede en muchos rincones de la Tierra.
    Yo también me quedé pensando en la fuerza y el impacto que la tradición tiene sobre nosotros y en lo difícil que puede resultar hacer un cambio en las costumbres de una sociedad.
    Un abrazo, Gabriela =)

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