À medida em que os convidados chegavam (16 mulheres e apenas um homem deslumbrado e meio sem jeito) dava para sentir o clima amistoso e descontraído. Esta era a idéia. Uma reunião quase que informal, para discutir um tema apaixonante: Literatura. E o primeiro livro, Memórias Póstumas de Brás Cubas. Num primeiro momento parecia muito difícil entender aquela linguagem com tantos simbolismos usados por Machado de Assis, mas a idéia de espalhar folhas com frases-chave pelo chão permitiu o ponto de partida. Todos queriam dar a sua opinião. E aí o segredo, não se tratava de uma simples interpretação de texto, mas uma parada para reflexão sobre uma obra de conteúdo centrada num personagem defunto, que reconta a própria vida. Um relato franco e ao mesmo tempo irônico.
No final do encontro, que durou cerca de 2 horas, a certeza de que todos saíram satisfeitos com os resultados e já esperando pelo próximo, dia 9 de dezembro."
Dorival Leal.
“Memórias Póstumas de Brás Cubas” é uma novela escrita no século retrasado que continua totalmente atual. Adoramos as frases, as descrições e a ironia com que Machado de Assis escreve sobre a vida e as relações humanas. Um narrador descontraído que fala diretamente ao leitor.
No delírio…
Fomos da imagem de um hipopótamo à origem dos séculos e os contemplamos desfilar num turbilhão de pensamentos.
[...] Via tudo o que passava diante de mim, — flagelos e delícias, — desde essa coisa que se chama glória até essa outra que se chama miséria, e via o amor multiplicando a miséria e via a miséria agravando a debilidade. Aí vinham a cobiça que devora, a cólera que inflama, a inveja que baba, e a enxada e a pena, úmidas de suor, e a ambição, a fome, a vaidade, a melancolia, a riqueza, o amor, e todos agitavam o homem, como um chocalho, até destruí-lo, como um farrapo.
O capítulo foi comparado com obras de Salvador Dalí:
“Apoteose do dólar”

A reunião se fechou ao lermos o parágrafo final do livro:
[...] Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve míngua nem sobra, e conseguintemente que saí quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não teve filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.
“Ser feliz...” foi definido como: “... sentirse bien y darse cuenta...”
Em 18 de novembro nasceu oficialmente nosso clube.
Felicidades desde España por la iniciativa tan buena que habéis tenido.
ResponderExcluirUn abrazo a los amantes de la literatura.
Ginés Cutillas
Hola Ginés:
ResponderExcluirGracias por la visita!
Esperamos leer pronto alguno de tus libros.
Un fuerte abrazo!
=)
Sintese digna de um escritor. Tenho a impressão de já ter visto o Sr. Dorival Leal em algum livro...Bela iniciativa do grupo, na Europa e nos EUA os grupos de leitura são muito comuns e apreciados, excelente idéia para engrandecer a atividade cultural no nosso querido país.
ResponderExcluirAcertou, Leo.
ResponderExcluirDorival Leal é o escritor de "A Revolução dos velhinhos na ilha do saber".
Aliás, sinta-se convidado a participar do clube.
Abs,
Andréa
Eu havia lido o livro ainda adolecente e não consegui le-lo novamente para o encontro, mesmo assim fui e fiquei encantada como foi enriquecedor o encontro.
ResponderExcluirParabens a Andréa e Gabriela pela iniciativa.
Beijos
Nilsa
Meu Deus! De quem foi a idéia de indicar "O menino do pijama listrado"? As últimas duas horas finais foram simplesmente eletrizantes... Parabéns.
ResponderExcluirDorival Leal